1 - D_US é O Ser transcendente ao espaço-tempo, portanto sem o que possamos entendê-LO como tendo um início.
2 - D_US, por assim dizer, está para lá de qualquer horizonte de evento, isto é, está e “É fora do cosmos”.
3 - O espaço e o tempo, o espaço-tempo e quaisquer outras dimensões existentes, ou que tenham existido em épocas primordiais do cosmos, ou existam e sejam por nós desconhecidas emanaram e emanam de D_US.
4 - D_US criou o cosmos que nós habitamos [podem existir outros por nós inacessíveis] sob dois grandes aspectos: (1) a criação da matéria e da energia em suas formas mais elementares e que viriam, segundo regras próprias, evoluírem em função das mudanças de parâmetros ambientais e também criou e cria continuamente, por outro modo, (2) o cosmos com a outra entidade básica que é a informação.
5 – Assim as três entidades básicas são a Informação (Info), a matéria (M) e a energia (E) que subsistem como expressões inextricáveis do espaço e tempo Euclidiano e do espaço-tempo relativista, em quaisquer geometrias até hoje matematicamente concebidas ou a virem ser concebidas e/ou descobertas.
6 - D_us não (ex)iste – D_us É.
7 – Nós humanos, e tudo o mais o que é, (ex)istimos, isto é, somos todos contingentes no cosmos, logo “D_us É Não-contigente e Fora do Tempo”, enquanto FORMA de SER, ou ainda melhor dito “SER de SER”.
8 – É evidente que desde o início do cosmos e do espaço-tempo, a mais de 12 bilhões de anos (se estivermos certos quanto a esse tempo), algumas regras de nascimento e de evolução foram impingidas ao cosmos, permitindo a evolução da energia - E, que se desdobrou em vários tipos de campos, e da matéria - M - que sucessivamente veio a se estabelecer com alta estabilidade em suas formas fundamentais – partículas sub-atômicas fundamentais, partículas atômicas strictu sensu (p, n, e-), átomos, moléculas e formas moleculares mais complexas e tardias.
9 – O VAZIO é o conceito, em Cosmologia e Física quântica, que no campo epistemológico dessas ciências e teorias, é correspondente por equivalência cognitiva ao conceito teológico de D_us; mas não é correspondente no campo ontológico, por falta de cognição possível para ambos; também o conceito de Vazio só pode ser concebido mentalmente e Deus só pode ser percebido mediante a vivência com este SER que é o fundamento de nossos seres contigentes.
10 – As regras impingidas ao cosmos são intrínsecas à evolução do cosmos, isto é, são regras emergentes, que permitem identificar que com a mudança das condições cosmo-ambientais as partículas sub-atômicas, átomos, moléculas, estrelas, galáxias e planetas ser organizaram, isto ganharam Info e forma.
11 – As formas do mundo inorgânico são “padrões” que podem ser entendidos como oriundos de “informações” inerentes, condicionadas ou emergentes duplamente, a partir de: (1) ambientes que se transformam parametricamente e (2) de regras pré-fixadas e formas pré-fixadas em uma fase evolutiva precedente, que servem de embasamento para as novas formas e leis emergentes.
12 – Todas as regras e formas fixadas em alguma fase subseqüente são emergentes e manifestam atributos e propriedades previamente inexistentes no cosmos em outra fase antecedente.
13 – Diz um texto do Talmud que D_us se “afastou” do cosmos para que o mesmo evoluísse e desenvolve-se sua trajetória; este “afastar-se” é, por nós, entendido como a doação das regras cosmo-ambientais e intrínsecas aos objetos do cosmos para que novas regras e formas emergissem e/ou emerjam.
14 – Em reconhecimento às revelações transpessoais apresentadas no Livro de Urantia, reconhecemos também que D_us Se “desdobrou”, por assim dizer, em manifestações de SI-MESMO em outras dimensões, numa das quais D_us se apresenta como D_us “O SUPREMO”, que evolui com a evolução do cosmos (Livro de Urantia, 1955,p. 1264, English version).
Lê-se o seguinte no Livro de Urantia: “The source of the Supreme is in the Paradise Trinity - eternal, actual, and undivided Deity. The Supreme is first of all a spirit person, and this spirit person stems from the Trinity. Bu the Supreme is secondly a Deity of growth - evolutionary growth - and this growth derives from the two attributes triodities, actual and potential”. (p.1264; 1o parágrafo).
Continua no parágrafo seguinte: “If it is difficult to comprehend that the infinite triodities can function on the finite level, pause to consider that their very infinity must in itself contain the potentiality of the finite; infinity encompasses all things ranging from the lowest and most finite existence to the highest and unqualifiedly absolute realities”.
15 – Reconhecemos que os paradoxos gerados sobre três atributos de D_us infinito, saber, omminisciência, omnipotência e omnipresença são resolvíveis se reconhecermos que, como descrito em O Livro de Urantia, (1955; página 1268) sobre o conhecimento possível do Todo Poderoso SUPREMO:
“If man recognized that his Creators - his immediate supervisors - while being divine were also finite, and that the God of time and space was an evolving and nonabsolute Deity, then would the inconsistencies of temporal inequalities cease to be profound religious paradoxes. No longer would religious faith be prostituted to the promotion of social smugness in the fortunate while serving only to encourage stoical resignation in the unfortunate victims of social deprivation” (p.: 1.268, 1o parágrafo).
16 – Sabemos e reconhecemos a autoridade inspirada transpessoal na Bíblia, como uma das mais coerentes revelações sobre a natureza existencial do homem e sua condição espiritual transcendente que - o homem é um ser contigente-transcendente triunitário, constituído de “espírito + corpo resultando em alma”, logo como espírito, corpo e alma.
17 – Em sua condição contingente o homem partilha a evolução da vida na Terra e é em todos os sentidos um ser terráqueo, isto é dependente das condições ambientais inorgânicas e orgânicas do planeta Terra.
18 – O Homem é fruto da evolução biótica e que ao ter atingido o limiar biológico para a sustentação possível de uma evolução com consciência, esta também tornou-se crescente; foi assim abençoado e escolhido por D_us, denominado comumente como "O PAI”, para nele, Homem, habitar na forma de um espírito doado ao Homem – “o espírito do homem”, conforme reconhecido em vários textos bíblicos.
19 – D_US escolheu o homem para nele experimentar evoluir na matéria, a partir de um ser animal gerido por todas as regras e/ou leis inorgânicas e orgânicas do planeta Terra.
20 – A doação de um espírito de consciência superior pré-pessoal ao Homem, espírito gerador dos três atributos espirituais reconhecidos na Bíblia para o Homem como – consciência, intuição e comunhão – é, todavia, uma explícita declaração do Criador de que este ser humano contingente possa chegar a evoluir em direção ao próprio D-US Criador Transcendete, guardando, doravante uma identidade de criatura pelos tempos e tempos do cosmos, e também para além dos horizontes de eventos dos cosmos, na futura mais afastada condição possível de evolução espiritual.
21 – A doação de um “espírito do Homem que está no Homem” não o faz menos humano, portanto, nem menos contingente submetido às condições boas ou nefastas da existência.
22 – A coerência e consistência da doação de um espírito ao Homem é fundamentalmente comprovável pelas experiências de milhares de pessoas em processo de terapia desenvolvido, primeiramente por Frei Albino Aresi e posteriormente pela sua discípula Dra. Renate Jost, quando em regressão à fecundação, milhares de seres humanos descrevem identicamente um encontro metafísico notável, e que aqui não cabe abrir àqueles que não tenham podido experimentá-lo.
23 – A condição humana está amparada pela doação de “o espírito que está no Homem”, mas a contingência atua de modo inequívoco no Homem, na maior parte das vezes quando a alma não se torna, sobretudo um “ego funcional perfeito" (segundo descrição notável de Abraham Maslow) ,para assim se transformar em uma sociedade de egos neuróticos denominados como personalidade (segundo descrições notáveis de S. Freud, W. Reich, J. Pierrakos, A. Lowen, Gurdjief, C. Naranjo e M. Minsk, entre outros).
24 – Na condição humana “o espírito que está no Homem” não deixa de agir e atuar sobre o “homem-personalidade”, isto é, auto-identificado com sua própria personalidade, em detrimento de Si-mesmo, com o obscurecimento espiritual do Si-mesmo que o Homem é de fato; para isto pode-se usar o nome de personalidade, máscara, pecado, neurose, psicose em suas mais variadas versões.
25 – O pecado não tem nada de original; é a repetição do mesmo – sem saída por si só.
26 – A condição de recriação do Homem, isto é, de trazê-Lo de volta à sua fonte de ser “o espírito do Homem” é dada de diversas formas pelas religiões, pela educação civilizada, pela evolução transpessoal da consciência, pelos mais altos de níveis de consciência identificados no “mapeamento da consciência”, conforme pesquisado por Neumann, Jung, Campbell e outros, mas notadamente por Ken Wilber.
27 – John Pierrakos trouxe para dentro do processo terapêutico a noção de “Eu-superior”, que constitui uma revelação auto-evidente, por múltiplos motivos aqui apenas apontados como existentes, de que o ser humano é “o Ser Eu-superior”, em distinção das versões neuróticas e defensivas ante as vicissitudes do desamor – vivido em maior ou menor grau ,ou percebido como tal , pelo(a) infante(a), e que constituem os “eu-inferior e a máscara social”, com os quais nós humanos nos identificamos como nossos egos (a dita sociedade de egos de Marvin Minsk e outros).
28 – A morte não é um mal em si, embora possa ser prematura e catastrófica, mas, faz parte da homeostasia dos ecossistemas no planeta, portanto faz parte da Economia e Ecologia do planeta.
29 – A morte não é em si uma condenação pelo pecado, embora possa ocorrer por motivos do pecado, enquanto neurose, doenças psico-somáticas e psicose, como derivada prematuramente dos efeitos de distorções cognitivas, emocionais, sentimentais, sistemas de crenças falsas, sistemas de valores falsos, com toda gama de sentimentos que geram stress sobre o corpo.
30 – Os sistemas - espírito / alma - geram informações que constituem o propriamente humano para o bem; se a alma, mal construída na ontogênese, toma o comando, portanto torna-se uma alma neurótica ou mesmo psicótica e o corpo físico sofre as conseqüências, assim a entropia bioquímica aumentará mais do que a capacidade biótica herdada de gerar neguentropia interna.
31 – Os sistemas sociais, naturais, econômicos, morais, jurídicos e religiosos também constituem o Homem e podem fazer d’Ele um ser mais ou menos consistente com a expressão de seus atributos superiores trazidos pelo “espírito que está no Homem”, e que podem se manifestar a mais ou a menos, ou mesmo não se manifestar.
32 – O Homem é um “espírito divino” em estado de contingência com uma história a construir.
33 – A história a construir pelo Homem é o que podemos descrever como uma tensão dialética a que denominamos livre arbítrio; o viver é dado em a priori, mas é também escolhido em muitas medidas.
34 – O livre arbítrio é em si a potencialidade, maior ou menor, nos vários seres humanos, de responder ao ambiente segundo fórmula traduzida, como: - “o Outro não é em si o meu problema, mas como eu lido com o Outro é que é o Meu problema”.
35 – O conjunto de fatores que fazem com que cada indivíduo ao longo de toda a história humana passe por vicissitudes, vença-as, supere-as ou a elas sucumba, é o que diversas Tradições denominam por “Lei da visitação entre gerações” como no caso da Bíblia, por Lei do karma ou Lei das causas complexas e efeitos complexos, ou também a lei de causas e efeitos vividos pelos seres humanos como Lei do acaso.
36 – O acaso é um nome dado pelos humanos para as relações de causa e efeito, quando não se tem diretamente poder sobre aquelas relações e se as sofre passivamente, como a seqüela ou a morte por um desastre, por exemplo.
37 – As relações sob as leis espirituais gerais como a Lei da visitação, a Lei do karma e muitas outras constituem aquilo que tem a ver com a contingência humana em relação com a unidade do Homem com o D_us SUPREMO (ler os itens 13, 14 e 15).
38 – As Leis espirituais constituem as bases para a evolução da consciência, amor, comunhão e intuição no Homem; elas são reconhecíveis por pesquisa, pelas Tradições e pelas experiências transpessoais em tempos da modernidade, como no caso notável de Edgar Cacey.
39 – Pode-se citar muitas das Leis espirituais tias como: - Lei do karma, Lei da visitação, Lei do amor, Lei da comunhão Humana, Lei da comunhão com o Divino, Lei da Doação, Lei da Liberdade do perdão, Lei da Sabedoria, Lei Mestra dos relacionamentos, Lei da Fé, Lei da compaixão pelo Outro, Lei da auto-aceitação / auto-reconhecimento de seus Valores de Ser, Lei da Gratidão, a Lei de Ouro de Bênção Universal, a Lei da Unidade, a Lei da Iluminação, a Lei do Vir-a-ser, a Lei da Graça Divina, a Lei da Sintonização com o Divino, entre outras.
40 – O AMOR DIVINO é o fundamento do Homem, e constitui a fonte de sua “Espera Ativa”, de sua “Esperança” e “Certeza” para todo aquele que crê, e se faz, e se sente mover no “Amor d’AQUELE que É” O SUPREMO [Deus Imanente] e também não menos no D_US Transcendente “PAI / FILHO / ESPÍRITO ETERNO”.
41 – Ao Homem é destinada a Eterna (Ex)istência em todas as sucessivas MORADAS ou níveis de consciência de D_US, como mencionadas pelo UNGIDO de D_US, o Mashiah, ou o Cristo - "na casa de Meu Pai há muitas moradas".
42 – Ao Homem cabe amar a D_US com todo seu entendimento, com todas as suas forças e adorá-LO em “Espírito e em Verdade”. Ao assim fazê-lo em cada estágio crescente de evolução da consciência humana, um dia, cada homem chega à conclusão óbvia de que: - cada Um de nós é Um com AQUELE QUE É - todavia tal conclusão não é, e nem será, um fato intelectual como aqui expresso.
43 – Saber é parte da base cognitiva humana e sobre o Homem pode agir de modo educativo, e tanto melhor quanto esse saber seja aderente à Realidade e à Verdade, mas o saber nunca substitui o experienciar e o viver.
44 – O universo evolui, a Terra evolui, a biosfera atual é fruto da evolução de 12 biosferas prévias ao longo de 4,2 bilhões de anos, o homem evolui e assim coloca-se como nossa responsabilidade atual agir com consciência para dar prosseguimento à evolução, e enfrentar as crises que criamos a partir das visões de mundo (mundi-visões) reinantes em uma sociedade distante de sua relação com a Realidade de nossa existência.
Belo Horizonte, Fevereiro de 2009.
P.P. Martins Jr.
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